domingo, 17 de março de 2013

Jacó: o homem que se tornou nação

Uma interpretação da história de Jacó que nos ensina a superar as intolerâncias e eliminar os preconceitos étnicos, políticos e sociais.




A luta de Jacó e o Anjo. Obra do francês Alexander Louis Leloir, 1865. A história de Jacó inspirou artistas de todas as épocas e lugares.



Jacó seguia com suas mulheres, filhos, criados e bens de volta à terra natal. Do planalto de Galaad, região da Transjordânia, desceu até a garganta do rio Jaboque, um afluente do Jordão. Ele resolveu atravessar toda a comitiva antes do pôr-do-sol e ficou por último. Foi então que surgiu aquele homem misterioso. Já estava escuro quando começaram a lutar. A luta se estendeu até o raiar do dia. Finalmente, o estranho pediu para ser solto, mas Jacó exigiu, antes, uma benção. O homem deu-lhe a vitória e um novo nome: Israel, aquele que luta com Deus. E Jacó chamou aquele lugar de Peniel (de panim, face e El, Deus), dizendo: "Vi a Deus face a face".

Assumindo a identidade de Israel, Jacó tornou-se o antepassado epônimo do povo judeu, ou seja, aquele que empresta seu próprio nome à nação - assim, em sua história revela-se a identidade de todo um povo. "A imagem do patriarca epônimo condiciona, necessariamente, a imagem que o povo forma de si mesmo", explica o teólogo espanhol José Luis Sicre Díaz, doutor em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e professor na Faculdade de Teologia de Granada. Talvez por isso a figura de Jacó seja a mais contraditória de todos os patriarcas, e a mais rica em significados. Mentira e verdade, ingenuidade e astúcia, medo e fé são elementos que se alternam para descrever um patriarca humano, acima de tudo.



Disputa na barriga da mãe



Depois do estranho episódio da luta com Deus no rio Jaboque, Jacó iria se encontrar com seu irmão gêmeo Esaú. Eles tinham contas antigas a ajustar. A disputa começou antes mesmo do nascimento. Conta-se que os gêmeos já lutavam dentro do ventre da mãe, Rebeca. Esaú nasceu primeiro, mas Jacó veio logo atrás, segurando no calcanhar do irmão. Daí a origem de seu nome: Ya´acov , que deriva da palavra hebraica ekev, calcanhar. Jacó cresceu como um homem pacato, o preferido de Rebeca. Esaú, que era um valente caçador, era o preferido do pai, Isaque.

Certo dia, Esaú voltava faminto da caça e viu Jacó fazendo um cozido de lentilhas. Pediu a comida e Jacó propôs um negócio: o cozido pelo direito de primogenitura. Dizia a lei que o primogênito tinha direito ao dobro de tudo o que fosse destinado aos outros irmãos. Esaú concordou com a troca: "Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura?". Para os antigos israelitas, mais valiosa do que a herança era a benção que o pai reservava ao primogênito antes de morrer. E das palavras sagradas de seu pai à beira da morte, Esaú não queria abrir mão. Contudo, quando Isaque já estava velho e cego, Rebeca e Jacó usaram de um estratagema para obter a benção paterna: o rapaz vestiu-se com as roupas de Esaú e cobriu as mãos e o pescoço com pele de cabrito, para parecer peludo como o irmão.

Quando Esaú descobriu o "roubo" ficou furioso e prometeu matar Jacó. Aconselhado por Rebeca, Jacó fugiu para a casa do tio materno, Labão, na Mesopotâmia. Acolhido na casa de Labão, casou-se com as primas Lia e Raquel e lá permaneceu os 20 anos seguintes. Então, resolveu voltar para Canaã. Antes, porém, quis se reconciliar com Esaú. Na noite anterior ao encontro, ocorreu a estranha luta no rio Jaboque e a mudança do nome. No dia seguinte, os irmãos se encontraram e fizeram as pazes.



O crente que não larga do pé de Deus



Para o teólogo Mauro Meister, pastor da 1ª Igreja Presbiteriana de Goiânia e professor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, o evento sobrenatural ocorrido no rio Jaboque é a peça chave para a compreensão do patriarca Jacó: "ele nos ensina que a eleição de Deus prevalece até mesmo sobre o caráter do homem". Segundo o pastor Meister, Jacó precisou da interferência direta do próprio Deus para assumir, efetivamente, a aliança feita com seu avô e seu pai. Contudo, no episódio da luta, revela-se, também, um papel ativo na busca do sagrado. Para Meister, a melhor tradução para o nome Israel, não seria o que luta, mas o que "persevera" com Deus. "O nome Yisra?elé derivado do verbo sara, persistir ou perseverar",diz o teólogo.



A auto-afirmação de Israel

"Quando se diz que Deus está, agora, com Jacó, significa que Deus está, agora, com Israel do Norte" (veja box), afirma José Luís Sicre, da Faculdade de Teologia de Granada. O teólogo espanhol lembra que os êxitos e méritos do patriarca são, por associação direta, reivindicados para o próprio povo de Israel. Contudo, ao mesmo tempo em que Gênesis mostra um patriarca abençoado por Deus, também faz um retrato nem sempre elogioso de sua conduta. "O relato de Gênesis não é maniqueísta?, afirma o teólogo. "Em uma cultura onde se valoriza o viril, e a atividade e o temperamento empreendedor, não parece demasiado elogioso dizer que Jacó é um homem tranqüilo que gosta de cozinhar e é preferido de sua mãe, e não do pai", completa. Além disso, embora cumprindo uma promessa (Deus havia dito a Rebeca, ainda grávida, que o filho mais novo sobrepujaria o mais velho), o fato é que Jacó, efetivamente, engana seu pai e seu irmão. Mais tarde, na casa de Labão, é ele a vítima de fraude, quando pensa que está se casando com a amada Raquel e recebe Lia como esposa (veja box). Torna-se, também, objeto de uma "transação" entre as esposas: Raquel cede uma noite com o marido em troca de mandrágoras, flores vinculadas com fertilidade, colhidas pelo filho de Lia (Gn 30.14-16) - algo, no mínimo, estranho em se tratando de uma sociedade machista... "Ou seja, a imagem de Jacó tem aspectos positivos e negativos, como podemos esperar de qualquer ser humano. Porém, na visão de Gênesis, o positivo vem diretamente de Deus, não se deve aos méritos do patriarca", lembra Sicre.

Só que uma imagem tão humana é difícil de ser aceita pela mentalidade religiosa, que tende a mitificar seus personagens favoritos, considera o teólogo. Assim, teria surgido com o passar do tempo uma repulsa dessa identidade, por meio de dois mecanismos distintos: o de relegar Jacó a um segundo plano (exaltando, em seu lugar, o patriarca Abraão) ou o de exaltar a figura de Jacó, à custa da depreciação de Esaú, por meio da elaboração de novos relatos. Segundo o teólogo, um exemplo significativo da exaltação de Jacó é o livro apócrifo dos Jubileus, escrito provavelmente entre os anos de 160 e 140 a.C. "A situação política da época, a rebelião dos Macabeus (contra os conquistadores gregos, que tentavam impor sua cultura), cria no autor um espírito nacionalista", explica Sicre. Como resultado, o livro de Jubileus cria um "super-patriarca" perfeito sob todos os aspectos, pela omissão de eventos citados no Gênesis (como a cena das mandrágoras), substituições ou adições de novos fatos. Assim, por exemplo, é o avô Abraão, e não a mãe Rebeca, quem prefere Jacó; e na troca da primogenitura pelo cozido, Jacó não diz "vende-me", mas "entrega-me". "Mas o pior é o final da história", conta o teólogo. Esaú não perdoa Jacó e o relacionamento entre os irmãos termina de maneira trágica, com Jacó matando Esaú com uma flechada no peito (Jub.38.2). "A exaltação de Jacó produz-se à custa de Esaú, ou melhor, à custa da fraternidade", lamenta o teólogo. Pessoalmente, o professor Sicre fica com o relato de Gênesis."Prefiro a imagem do patriarca ambicioso e egoísta, calculador e frio, mas também sofredor e paciente, aberto a todos os povos e culturas, em cuja história resplandece, com luz própria, a ação de Deus."

Suzel Tunes (publicado originalmente no livro Os Patriarcas, Editora Abril).

LEIA TAMBÉM:

Esaú, edomitas e palestinos


Isaque abençoando Jacó, obra de Govert Flinck (discípulo de Rembrandt), de 1638

O gêmeo de Jacó é descrito na Bíblia como uma antítese do irmão. O nome Esaú, derivado de "peludo", descreve um tipo físico oposto ao de Jacó, que é "liso".Enquanto Jacó é "pacato", Esaú é um "perito caçador, homem do campo". Impulsivo, não hesita em trocar o seu direito de primogenitura por um cozido de lentilhas vermelhas (por isso, ele é chamado também de Edom, "vermelho") e, depois, intenta matar o irmão que lhe rouba a benção paterna. Mas, quando o encontra, anos mais parte, corre em sua direção, abraça-o e, chorando, o perdoa.

Contudo, se os textos bíblicos são quase simpáticos ao filho que despreza a promessa de descendência feita à família, relatos posteriores pintarão um quadro muito mais negro da figura de Esaú. À medida em que crescia o nacionalismo judeu, aumentava a tendência maniqueísta de reforçar as qualidades de Jacó e os defeitos de Esaú. No livro apócrifo dos Jubileus, chega-se a omitir o perdão de Esaú, que é descrito como perverso e violento, lembra o teólogo espanhol Luís Sicre. "A política influenciou muito esta mudança. Esaú é considerado o pai dos edomitas, que acabaram se convertendo em um dos maiores inimigos de povo de Israel", afirma o teólogo.

Hoje, há quem associe os edomitas aos palestinos, uma vez que Esaú teria se casado com filhas de Ismael, o pai dos árabes. Contudo, essa vertente, embora popular, não tem respaldo histórico. Os edomitas teriam sido dizimados como nação. Segundo alguns historiadores, a Iduméia (monte de Seir) foi invadida pelo rei caldeu Nabucodonosor no sexto século a.C. Depois, no segundo século, os poucos edomitas que restaram na região teriam se convertido ao judaísmo.



Raquel e Lia: as irmãs rivais


Jacó chega à casa de seu tio Labão e vê Raquel pastoreando as ovelhas. Ela é "formosa de porte e de semblante". De sua irmã, Lia, diz-se apenas que "tinha olhos meigos" (mas alguns tradutores entendem a palavra original "rak" como "fraco", ou "sem brilho"). Segue-se uma das histórias de amor mais famosas da literatura.


Rachel e Leah, obra de Dante Gabriel Rossetti, de 1855.

Jacó apaixona-se por Raquel e, para obtê-la, deve oferecer a Labão sete anos de trabalho. Contudo, ao final do prazo combinado, é Lia quem o pai conduz à cama do sobrinho, no escuro da noite. Lia é mais velha e deve se casar primeiro, ele argumenta. Jacó não desiste de Raquel e trabalha mais sete anos, que lhe parecem "como poucos dias, pelo muito que a amava".

Mas o clima familiar torna-se ruim. Lia é desprezada e tenta conquistar o marido pelos méritos da maternidade. Raquel é amada, mas estéril, e sente-se profundamente infeliz. "Dá-me filhos, senão morrerei". Segundo a historiadora holandesa Athalya Brenner, professora de Antigo Testamento na Universidade de Amsterdam e autora do livro "A Mulher Israelita", os textos bíblicos mostram uma mulher insegura e competitiva, que só se realiza pela maternidade. Ciúme e rivalidade seriam consideradas características inerentes à condição feminina desde tempos imemoriais. "Os homens são vistos de forma diferente, muito mais maduros socialmente", afirma a pesquisadora.

Para o rabino e historiador francês Josy Eisenberg, autor do livro "A mulher no tempo da Bíblia", o foco central dos relatos sobre as matriarcas é a esterilidade recorrente. O objetivo é demonstrar que existe uma força espiritual capaz de vencer todos os obstáculos, até mesmo as impossibilidades da natureza. "Se fosse deixado por conta da natureza, o povo de Israel jamais viria à luz". Segundo Eisenberg, o nascimento do povo é descrito como um longo e doloroso parto. "Em hebraico, o mesmo termo toledot designa a história e o parto", diz ele. Assim, a ação de Deus conjuga-se com a vontade humana de "gerar" história, uma vontade que se expressa, em primeiro lugar, através das mulheres. Na visão judaica, as matriarcas seriam, portanto, as verdadeiras "mães portadoras" da História.

sábado, 24 de novembro de 2012



                       MULHERES  RIXOSAS




Todos desejam um lar agradável. Provavelmente é seguro dizer que ninguém quer viver num lugar miserável, infeliz. Mas está claro que um lar agradável não é algo que se possa comprar com dinheiro. Se fosse assim, as pessoas ricas seriam felizes, e todos sabemos que bem poucas delas o são.
O que é que torna nossos lares verdadeiramente agradáveis? Sem dúvida, é a sabedoria que vem de Deus. Quando há sabedoria em casa, o lar é um prazer. Sendo assim, um lar agradável é aquele que tem uma mulher sábia, virtuosa no seu centro. Provérbios tem muitas descrições vívidas da mulher sábia e da mulher insensata. Para iniciar, considerem Provérbios 14:1: “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba.” Ambas as mulheres estão ocupadas, e seu comportamento tem um impacto considerável sobre seus lares e suas famílias. Mas a mulher sábia está construindo, enquanto a insensata está destruindo. Poderíamos argumentar que pelo menos a insensata tem a atenção centrada no seu lar. Certamente – da mesma maneira que uma equipe de demolição tem sua atenção centrada ao direcionar a bola de demolição. O lar é um triste alvo, e que tragédia quando a pessoa designada por Deus para ser a benção principal acaba se tornando uma vergonha e uma destruidora.
Charles Bridges, um pastor do final do século XIX, diz em seu comentário sobre Provérbios, “Muitas são as misérias na vida de um homem; mas nenhuma se iguala àquela que vem de quem deveria ser o esteio da sua vida.” E continua dizendo que a esposa petulante é uma grande calamidade doméstica, e não há saída legal. Um filho rebelde pode pelo menos ser posto para fora de casa, diz ele, mas uma má esposa simplesmente tem que ser suportada.
O livro de Provérbios confirma isso. Uma mulher briguenta, petulante, rixosa, indiscreta, ignorante é uma grande aflição para seu marido e sua família. Seria melhor dormir sobre o teto, ou no deserto, do que suportar a sua raiva e amargura. Salomão diz que seria melhor suportar o mau tempo do que lidar com ela. Afinal, neste caso, o tempo pode ser pior em casa do que fora. Um homem está melhor sozinho do que acompanhado de uma mulher como esta.
A maioria das mulheres cristãs prontamente presume que não estão na categoria das “rixosas e petulantes.” Mas gostaria de refinar isto um pouco para que possamos todos prestar atenção. Já vi mulheres destruírem seus lares, e normalmente isto não acontece em um dia. Foram anos de lamúrias, reclamações, descontentamento, perturbação e outros “pequenos” pecados não tratados. E isto se transformou em profundo ressentimento que acabou com uma espetacular demolição de um lar. “Pequenos pecados” de irritação, desprazer, auto-piedade, e um espírito crítico são como pequenos balanços com malhos. A parede acaba cedendo. Pequenos pecados sempre se transformam em grandes pecados. Cantares diz que as raposinhas estragam o vinhedo. As mulheres precisam ter uma política de tolerância zero com respeito aos seus próprios pecados. Devem se arrepender de todos imediatamente. Mentiras devem ser confessadas. Restituições devem ser feitas. O perdão deve ser buscado em todos os casos. De outra forma, um pecado leva a outro, e logo as coisas que deveriam ser o doce conforto do lar, a mesa de jantar e a cama de casal, tornam-se os palcos da tragédia anunciada.
De que maneira uma mulher pode buscar sabedoria para que isto não aconteça? De que maneira pode transformar seu lar se as coisas já estiverem em um estado de entulho e confusão? Como eu disse acima, o pecado deve ser primeiramente reconhecido e tratado. Mas depois, ela deve considerar a característica da sabedoria descrita em Provérbios e buscá-la diligentemente. “Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal ” (Provérbios 3:7). A mulher sábia busca a sabedoria no Senhor, não em si mesma. Esta humildade permite que ela seja ensinada: “O sábio de coração aceita os mandamentos, mas o insensato de lábios vem a arruinar-se ” (10:8); “O caminho para a vida é de quem guarda o ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado ” (10:17). Uma mulher insensata não aceita mandamentos, instrução, crítica, informação ou correção de ninguém. Nem do seu marido, nem do pastor, nem de seus amigos, nem da Palavra. Ela é sábia aos seus próprios olhos e não necessita de nada. Ela justifica seu comportamento para si mesma. Ela conta e reconta sua história em suas próprias palavras e faz os ajustes necessários para garantir que ainda pareça um personagem compassível. Mas os outros personagens da história, a sua família, a vêem de maneira bem diferente.
A mulher sábia não apenas pode ser ensinada, mas também ensina aos outros coisas boas: “Prata escolhida é a língua do justo, mas o coração dos perversos vale mui pouco. Os lábios do justo apascentam a muitos, mas, por falta de senso, morrem os tolos ” (10:20-21). Quando uma mulher sábia fala ao seu marido, isto é alimento. Quando fala aos filhos, eles são abençoados. Ela se torna a fonte de força da sua família, ao invés de drenar sua alegria. Ela é a coroa, trazendo ao seu marido “bem e não mal, todos os dias da sua vida.” (31:12).
Um lar com sabedoria será um “manancial de vida” (10:11). A mulher que busca este tipo de sabedoria necessariamente se tornará alegre, prudente, obediente, disciplinada, respeitosa e submissa ao marido, uma bênção para todos ao seu redor, edificando seu lar. Este é um contraste bem marcante em relação à mulher insensata que está destruindo a sua casa por ser rixosa, barulhenta, indiscreta, ignorante, tolerante consigo mesma, argumentadora, nunca satisfeita, e sempre reclamando. Há uma razão para a repetição em Provérbios deste assunto: as mulheres têm a tendência a tentação comum de serem como torneiras gotejando. E subestimam radicalmente o impacto da sua desobediência: “O gotejar contínuo no dia de grande chuva e a mulher rixosa são semelhantes” (27.15).



















QUEM É VOCÊ: RIXOSA OU SÁBIA?


"Toda a mulher sábia edifica a sua casa: mas a tola derruba-a com as suas mãos."Provérbios 14:1

Com o decorrer da vida, nos deparamos com vários tipos de mulheres. Sejam elas nossa mãe, irmã, tia, professora, amiga de escola. Em cada mulher há uma
personalidade única e especial.
A mulher é diferente do homem tanto fisicamente quanto psicologicamente, vendo muitas vezes o lado mais emocional das situações que a razão.
Nas mãos da mulher Deus entregou uma responsabilidade: edificar a própria casa. Mas o que seria afinal edificar?
A palavra nos remete ao sentido de construir. Esta é a responsabilidade da mulher perante o casamento e a família: construir um lar harmonioso, onde seja agradável viver.
Nem todas as mulheres tem a virtude da mulher sábia, que edifica sua casa. Muitas mulheres, por conta de sua própria tolice podem levar um lar à ruína.
A Bíblia relata o caso da mulher rixosa, a mulher que vive murmurando constantemente, brigando, está sempre irritada e irritando toda a família. A mulher que age deste modo desestrutura a harmonia do lar, tornando-o um lugar insuportável. Seu esposo não tem prazer de estar em casa, nem seus filhos, porque sabem que serão atormentados por aquela que deveria recebê-los com amor.
Em Provérbios 27:15 lemos:
"O gotejar contínuo no dia de grande chuva, e a mulher rixosa, uma e outra são semelhantes." Assim é comparada a mulher rixosa, como algo muito incômodo
.
A mulher rixosa torna-se tão desagradável para àqueles com quem convive, que sua presença torna-se um verdadeiro estorvo, sendo preferível qualquer outra coisa que viver com uma mulher assim:
"Melhor é morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda." (Provérbios 21:19)

"Melhor é morar a um canto de umas águas-furtadas, do que com a mulher rixosa numa casa ampla."(Provérbios 25:24) Morar num canto de águas-furtadas é o mesmo que viver num canto onde há somente um telhadinho!
Se você se identificou com a mulher rixosa, ainda há uma solução! Nunca é tarde para mudar de atitude.
No capítulo 31 de Provérbios vemos as qualidades da mulher virtuosa, que trabalha em prol de uma boa convivência no lar com seu esposo, filhos, no trabalho, com os empregados, em todas as áreas da vida.
A respeito do tratamento da mulher virtuosa com o marido, lemos em Provérbios 31:12:
"Ela lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida."

O que você tem feito com seu próprio lar? Como você tem tratado a responsabilidade que lhe foi confiada por Deus? Tem se tornado uma mulher com as
características da mulher rixosa, que torna o lar um lugar insuportável de se viver, ou tem se esforçado para trazer alegria aos seus mais chegados, que convivem com você diariamente?
A Bíblia nos faz uma pergunta e nos mostra o valor da mulher:
"Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis." (Provérbios 31:10)

Não siga o caminho da mulher rixosa, pois ela se enquadra no papel da mulher tola, capaz de destruir o próprio lar.
Seja uma mulher preciosa para o seu lar, para o seu esposo e filhos, para todos que a rodeiam e Deus irá abençoar sua vida e a vida daqueles com quem você convive.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A DIFERENÇA ENTRE O CRENTE E O DISCÍPULO



Todo discípulo é um crente, mas nem todo crente é um discípulo. Sabe porquê?

O crente espera pães e peixes; o discípulo é um pescador.

O crente luta por crescer; o discípulo luta para reproduzir-se.

O crente se ganha; o discípulo se faz.

O crente depende dos afagos de seu pastor; o discípulo está determinado a servir a Deus.

O crente gosta de elogios; o discípulo do sacrifício vivo.

O crente entrega parte de suas finanças; o discípulo entrega toda a sua vida.

O crente cai facilmente na rotina; o discípulo é um revolucionário.

O crente precisa ser sempre estimulado; o discípulo procura estimular os outros.

O crente espera que alguém lhe diga o que fazer; o discípulo é solícito em assumir responsabilidades.

O crente reclama e murmura; o discípulo obedece e nega-se a si mesmo.

O crente é condicionado pelas circunstâncias; o discípulo as aproveita para exercer a sua fé.

O crente exige que os outros o visitem; o discípulo visita.

O crente busca na palavra promessas para a sua vida; o discípulo busca vida para receber as promessas da Palavra.

O crente pensa em si mesmo; o discípulo pensa nos outros.

O crente se senta para adorar; o discípulo anda adorando.

O crente pertence a uma instituição; o discípulo é uma instituição em si mesmo.

Para o crente, a habitação do Espírito Santo em si é sua meta; para o discípulo, é meio para alcançar a meta de ser testemunha viva de Cristo a toda criatura.

O crente vale porque soma; o discípulo vale porque multiplica.

Os crentes aumentam a comunidade; os discípulos aumentam as comunidades.

Os crentes foram transformados pelo mundo; os discípulos transformaram, transformam e transformarão o mundo.

Os crentes esperam milagres; os discípulos os fazem.

O crente velho é problema para a igreja; o discípulo idoso é problema para o reino das trevas.

Os crentes se destacam construindo templos; os discípulos se fazem para conquistar o mundo.

Os crentes são fortes soldados defensores; os discípulos são invencíveis soldados invasores.

O crente cuida das estacas de sua tenda; o discípulo desbrava e aumenta o seu território.

O crente se habitua; o discípulo rompe com os velhos moldes.

O crente sonha com a igreja ideal; o discípulo se entrega para fazer uma igreja real.

A meta do crente é ir para o Céu; a meta do discípulo é ganhar almas para povoar o Céu.

O crente maduro finalmente é um discípulo; o discípulo maduro assume os ministérios para o Corpo.

O crente necessita de festas para estar alegre; o discípulo vive em festa porque é alegre.

O crente espera um avivamento; O discípulo é parte dele.

O crente agoniza sem nunca morrer; o discípulo morre e ressuscita para dar vida a outros.

O crente longe de sua congregação lamenta por não estar em seu ambiente; o discípulo cria um ambiente para formar uma congregação.

Ao crente se promete uma almofada; ao discípulo se entrega uma cruz.

O crente é sócio; o discípulo é servo;

O crente cai nas ciladas do diabo; o discípulo as supera e não se deixa confundir.

O crente é espiga murcha; o discípulo é grão que gera espigas saudáveis.

O crente responde talvez... o discípulo responde eis-me aqui.

O crente preocupa-se só em pregar o evangelho; o discípulo prega e faz outros discípulos.

O crente espera recompensa para dar; o discípulo é recompensado porque dá.

O crente é pastoreado como ovelha. O discípulo apascenta os cordeiros.

O crente se retira quando incomodado; o discípulo expulsa quem realmente quer incomodá-lo os demônios.

O crente pede que os outros orem por ele; o discípulo ora pelos outros.

Os crentes se reúnem para buscar a presença do Senhor; o discípulo carrega a Sua presença através do Espírito Santo.

Ao crente é pregada somente a salvação pelo Sangue de Jesus; O discípulo toma a Santa Ceia e anuncia às potestades do ar a vitória de Cristo sobre elas, para a Glória de Deus.

O crente segue tentando limpar-se para ser digno de Deus; o discípulo não se olha mais e faz a obra na fé de que Cristo já o limpou.

O crente espera que alguém lhe interprete as escrituras; o discípulo conhece a voz de seu Senhor e testemunha dEle.

O crente não se relaciona com membros de outras igrejas; o discípulo ama a todos pois isto é uma ordem de Deus, e só assim o mundo o reconhecerá como discípulo de Jesus.

O crente procura conselhos dos outros para tomar uma decisão; o discípulo ora a Deus, lê a Palavra e em fé toma a decisão.

O crente espera que o mundo melhore; o discípulo sabe que não é deste mundo e espera o encontro com seu Senhor.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Mentira na Bíblia



Não dirás falso testemunho contra o teu proximo.
Êxodo 20:16
O que usa de fraude não habitará em minha casa; o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos.
Salmos 101:7
Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite.
Provérbios 12:22
Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros.
Efésios 4:25
não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;
Colossenses 3:9-10
Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.
Tiago 3:14
Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira.
Apocalipse 22:15

Outros Versículos encontrados:

Mas eles replicaram. É mentira; dize-no-lo, pedimos-te. Ao que disse Jeú: Assim e assim ele me falou, dizendo: Assim diz o Senhor: Ungi-te rei sobre Israel.
2 Reis 9:12
Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira?
Salmos 4:2
Destróis aqueles que proferem a mentira; ao sanguinário e ao fraudulento o Senhor abomina.
Salmos 5:6
Mas o rei se regozijará em Deus; todo o que por ele jura se gloriará, porque será tapada a boca aos que falam a mentira.
Salmos 63:11
A testemunha verdadeira não mentirá; a testemunha falsa, porém, se desboca em mentiras.
Provérbios 14:5
Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas.
Provérbios 20:17
Alonga de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza: dá-me só o pão que me é necessário;
Provérbios 30:8
Porquanto dizeis: Fizemos pacto com a morte, e com o Seol fizemos aliança; quando passar o flagelo trasbordante, não chegará a nós; porque fizemos da mentira o nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos.
Isaías 28:15
E farei o juízo a linha para medir, e a justiça o prumo; e a saraiva varrerá o refúgio da mentira, e as águas inundarão o esconderijo.
Isaías 28:17
Apascenta-se de cinza. O seu coração enganado o desviou, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Porventura não há uma mentira na minha mão direita?
Isaías 44:20
Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam a mentira, a vossa língua pronuncia perversidade.
Isaías 59:3
Como pois dizeis: Nós somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Mas eis que a falsa pena dos escribas a converteu em mentira.
Jeremias 8:8
E encurvam a língua, como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam de malícia em malícia, e a mim me não conhecem, diz o Senhor.
Jeremias 9:3
E engana cada um a seu próximo, e nunca fala a verdade; ensinaram a sua língua a falar a mentira; andam-se cansando em praticar a iniqüidade.
Jeremias 9:5
porque vos profetizam a mentira, para serdes removidos para longe da vossa terra, e eu vos expulsarei dela, e vós perecereis.
Jeremias 27:10
Não deis ouvidos às palavras dos profetas que vos dizem: Não servireis ao rei de Babilônia; porque vos profetizam a mentira.
Jeremias 27:14
Então falei aos sacerdotes, e a todo este povo, dizendo: Assim diz o Senhor: Não deis ouvidos às palavras dos vossos profetas, que vos profetizam dizendo: Eis que os utensílios da casa do senhor cedo voltarão de Babilônia; pois eles vos profetizam a mentira.
Jeremias 27:16
Então disse o profeta Jeremias ao profeta Hananias: Ouve agora, Hananias: O Senhor não te enviou, mas tu fazes que este povo confie numa mentira.
Jeremias 28:15
Manda a todos os do cativeiro, dizendo: Assim diz o Senhor acerca de Semaías, o neelamita: Porquanto Semaías vos profetizou, quando eu não o enviei, e vos fez confiar numa mentira,
Jeremias 29:31
Embruteceu-se todo homem, de modo que não tem conhecimento; todo ourives é envergonhado pelas suas imagens esculpidas; pois as suas imagens de fundição são mentira, e não há espírito em nenhuma delas.
Jeremias 51:17
 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ESTUDO DO LIVRO DE RUTE

A história de Rute se passa no tempo dos Juízes, num período de desobediência, idolatria e violência. Conta como uma mulher viúva, moabita, que mesmo sendo de uma nação proibida de entrar na congregação do Senhor, eternamente (Dt .3), decidiu seguir o povo de Deus, se tornou bisavó de Davi e ancestral do Messias.
Essa história desenrola-se entre o mandato dos juizes Gideão e Jefté. O livro reflete um período transitório de paz entre Israel e Moabe (Jz 3.12-30). Oferece uma série de vislumbres da vida de membros de uma família israelita. Apresenta também um relato ameno de como permanecera um pouco de fé e piedade genuína no período dos juízes, suavizando um retrato da época que se não fosse por isso, seria totalmente obscuro.
AUTOR
A autoria do livro é desconhecida. Devido a genealogia no capítulo 4 que vai até Davi, mas não até Salomão, alguns estudiosos entendem que este livro tenha sido escrito depois de Davi ser ungido rei, mas antes de assumir o trono, quando Samuel ainda era vivo, por isso uma tradição judaica atribui a autoria do livro de Rute ao profeta Samuel.
COMPOSIÇÃO E PROPÓSITO
Apesar de situado na Bíblia após o livro de juízes, a exemplo da Septuaginta e da Vulgata Latina, a ordem judaica coloca o livro na terceira divisão do cânon, entre os Escritos. Por isso não é considerado parte da história deuteronomista.
Essa comovente história tem provocado diferentes conclusões quanto ao seu propósito. Uma história como essa não precisa de moral para justificar sua popularidade, porém não há duvidas de que ela tem uma moral ou um propósito teológico. Os interpretes da Bíblia não tem dificuldade em encontrar um propósito; o desafio tem sido encontrar um tema central que perpasse todo o texto.
Propósito principal – mostrar como uma mulher gentia se converteu em um dos antepassados de Cristo.
O livro de Rute tem sido interpretado como celebração do seguinte:
1 - que um convertido, mesmo sendo de Moabe, pode ser fiel ao Senhor e obter filiação plena em Israel.
2 – Que qualidades como lealdade e fidelidade as leis do Senhor demonstradas por um estrangeiro podem servir de modelo para o povo de Israel.
Boaz é o modelo para o parente que redime, ao passo que Rute reflete graciosamente o amor fiel de Deus a quem busca refúgio em suas asas.
Como o livro termina em Davi, muitos o consideram uma mensagem relativa ao rei. A questão é:
- O que o livro quer transmitir sobre ele?
- É uma tentativa de explicar e desculpar sua ascendência estrangeira?
- Pretende mostrar a providência divina em ação para preservar a linhagem da qual era herdeiro?
Outros consideram a ligação de Davi com o livro, secundária. Acreditam que o propósito é promover a conversão de povos estrangeiros ou desmotivar o casamento de israelitas com eles. Ambas as ideias são difíceis de apoiar por causa da mudança da situação descrita na obra e por causa do seu tom suave.
DIFICULDADES
Questões que tem fascinado estudiosos surgem diretamente de elementos estranhos da narrativa. Estes podem ser divididos em grupos:
1 – Questões relacionadas com as dificuldades de definir a data e origem do livro.
2 – Questões sobre costumes legais, especialmente as obrigações familiares de um parente próximo de uma pessoa falecida.
TEMA
Providência divina. Diante da tragédia que se abateu na família de Elimeleque, Deus recompensou amplamente a piedade de Noemi e a lealdade de Rute.
Como a vida de uma jovem moabita foi enriquecida:
1 – Por meio da constância de uma sábia escolha (1.16).
2 – Por meio de um trabalho humilde (2.2-3).
3 – Ao aceitar o conselho de uma amiga mais idosa e experiente (3.1-5).
4 – Por meio de uma aliança providencial (4.10-11).
5 – Por sua exaltação em uma família real (4.13-17).
TEOLOGIA
Talvez pareça surpreendente que quem reflete o amor de Deus seja uma moabita, povo que foi amaldiçoado pelo próprio Deus, por terem agido como inimigos do povo de Israel durante a caminhada deles no deserto em direção a Canaã (Dt 23.3-4). No entanto, sua total lealdade à família israelita que à acolheu por casamento e sua devoção total à sogra Noemi, tornam essa mulher verdadeira filha de Israel, ancestral de Davi e por consequência de Jesus. É um exemplo claro que Deus não escolhe ninguém por causa da família, nação ou povo, mas sim por ajustar a sua vida a vontade de Deus. Rute ao ser incluída na linhagem de Jesus, significa que todos as nações serão aceitos e representados no reino de Deus.
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Embora seja um documento de clara importância histórica sobre o período dos juízes, a narrativa do livro é desenvolvida com intensidade dramática. A história move-se rapidamente através de vários estágios, cada um sendo marcado por elementos de ironia e suspense, todos contribuindo para comprovar a fidelidade da providência divina. O Senhor inspira o retorno de Noemi para Israel, a fidelidade de Rute, a aliança e o apego correto de Boaz no cumprimento da lei. O livro fecha com uma genealogia do rei Davi, o descendente de Boaz, o israelita e de Rute a moabita, uma jovem viúva que se refugiou sobre as asas do Senhor Deus de Israel (2.12).
Rute e Boaz fazem parte de uma genealogia mais extensa onde a graça de Deus é combinada com a fraqueza humana.
O QUE ERA O RESGATADOR?
O sistema do levirato é explicado na literatura israelita em Deuteronômio 25.5-10. De acordo com essa lei, se um homem morresse sem deixar filhos, o irmão era obrigado a gerar um filho com a viúva. Posteriormente, esse filho seria considerado herdeiro do irmão falecido. Assim as famílias não teriam fim.
A interpretação do costume do levirato é condizente com direitos de resgate de terras e introduz o contexto legal do livro de Rute. O termo “Resgatador”, é tirado da lei de resgate de terras (Lv 25.25-31, 47-55). Segundo essa lei, a terra vendida podia ser comprada de volta por um parente para manter a terra na família. Tanto a lei da terra quanto o levirato tinham o propósito de preservar família e terra, questões essenciais na aliança. Eram provisões sociais pelas quais as promessas divinas continuariam a se realizar mesmo para famílias em crise.
QUEM ERAM OS MOABITAS?
Os moabitas são descendentes de Ló, sobrinho de Abraão com sua filha primogênita. Estabeleceram-se na Transjordânia, território entre o mar Morto e o deserto da Arábia, anteriormente ocupada pelos emins, conhecidos também como refains ou enaquins (Deuteronômio 21.10-11). Muitas vezes faziam incursões predatórias em Israel; “em bandos costumavam invadir a terra, à entrada do ano” (2 Reis 13.20). Combatidos por juízes e por Saul, foram definitivamente vencidos por Davi. Tinham religião politeísta e um regime monárquico. Seus deuses principais eram Quemos, Atar e Baal-Peor. Inscrições encontradas coincidem com os da Bíblia e mostram que Quemos era o deus de Moabe.
ANÁLISE HISTÓRICA
Sobre Noemi:
1- Sua permanência em Moabe (1.1-5).
2- Seu triste regresso à Belém (1.6-22).
Sobre Rute:
1- Respiga nos campos de Boaz (cap. 2).
2- Seu casamento com Boaz (4.13)
3- O nascimento de seu filho Obede, avô de Davi (4.13-16).
4- Na genealogia de Davi (4.18-22).

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Possivelmente, você já dever ter lido em muitas passagens bíblicas a menção da palavra escriba. Destaco dois textos dos muitos onde ela aparece: “Esta é a cópia da carta que o rei Artaxerxes deu ao sacerdote Esdras, o escriba das palavras, dos mandamentos e dos estatutos do SENHOR sobre Israel:” (Esdras 7. 11). “Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.” (Mateus 8. 19)
O escriba era um especialista na Lei (No Antigo Testamento, principalmente na Lei de Moisés). Suas principais funções eram interpretar a Lei de Moisés, trazendo soluções para as questões difíceis, e fazer cópias exatas da Lei para o uso nas sinagogas. Era referência quando o assunto era a Lei de Deus. Era uma espécie de teólogo, de mestre, de professor, de doutor da Lei.
Com o passar dos anos, na época de Jesus, os escribas, com suas interpretações, já haviam montado uma espécie de “tradição” que andava paralela ao que dizia a Palavra de Deus. Ela é mencionada na Bíblia como “tradição dos Anciãos”. Eles fizeram uma espécie de “lei” que eles mesmos escreveram e que a atribuíam como sendo a vontade de Deus. Veja um exemplo: “Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem.” (Mateus 15. 2).Lavar as mãos antes da refeição foi uma “lei” incorporada na religião e na cultura pelos escribas por “tradição”. Não há nenhuma lei na Bíblia mencionando essa obrigatoriedade.
Diversas “tradições” desse tipo foram sendo incorporadas na religião judaica e na cultura, o que fez com que Jesus se dirigisse aos escribas de forma dura, pois eles haviam se desviado da sua verdadeira função: “Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus (…) Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.” (Mateus 23. 2, 4)
Por fim, tiveram papel fundamental, junto com os fariseus, no martírio de Jesus Cristo.